António Aleixo

António Aleixo, um dos grandes poetas populares da língua Portuguesa. Sabe mais em: http://www.ofportugal.com/antonio-aleixo-grande-poeta-popular-algarvio

Publicado por Of Portugal em Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017

Ao longo da história a língua portuguesa deu a conhecer ao mundo inúmeros poetas. Muitos deles ditos iletrados, por não terem educação formal, e não saberem ler nem escrever. Mas que na realidade foram muito mais homens das letras que outros que as conseguiam escrever sem falhas.

Um desses grandes Poetas foi António Aleixo. O algarvio, nascido a 18 de Fevereiro de 1899, fez toda uma carreira a declamar os seus poemas, e a cantar.

Mas esta carreira fazia-a enquanto tinha profissões bem mais humildes que lhe colocavam o pouco pão na mesa. Foi tecelão, polícia, servente de pedreiro e tudo aquilo que conseguia ir fazendo para ganhar a vida. Chegou mesmo a imigrar para França, mas depressa voltou ao seu Portugal natal.

Deixou longa obra, escrita sempre por terceiros, durante os cinquenta anos que viveu. Quando faleceu de tuberculose a 16 de Novembro de 1949 tinha já algum reconhecimento, mesmo que poucos bens materiais.

Um grande poeta, e um grande Português claramente.

O mundo só pode ser
melhor do que até aqui,
quando consigas fazer
mais p’los outros que por ti!

Embora os meus olhos sejam,
os mais pequenos do Mundo
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.

Talvez paz no mundo houvesse
Embora tal não pareça,
Se o coração não estivesse
Tão distante da cabeça.

Para não fazeres ofensas
e teres dias felizes,
não digas tudo o que pensas,
mas pensa tudo o que dizes.

Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir,
– Por ver que eles próprios são
Incapazes de os seguir.

Eu não sei porque razão
Certos homens, a meu ver,
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer.

Contigo em contradição
Pode estar um grande amigo
Duvida mais dos que estão
Sempre de acordo contigo

Os meus versos o que são?
Devem ser, se os não confundo,
Pedaços do coração
Que deixo cá, neste mundo.

Este livro que vos deixo
E que a minha alma ditou,
Vos dirá como o Aleixo
Viveu, sentiu e pensou

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